Não é difícil descobrir algo sobre alguém hoje em dia. Se quisermos saber quais são os principais gostos de um colega de trabalho para lhe dar um presente, se uma empresa quer contratar um novo profissional ou se simplesmente um apaixonado quer ver mais da pessoa com quem está afim de ficar, é muito simples: basta dar uma olhada no Facebook ou no Twitter do indivíduo para conhecer mais sobre o mesmo e acertar no presente, na contratação, ou na paquera.

Com o advento das mídias sociais é cada vez mais comum encontrarmos informações bastante pessoais todos os dias. São declarações de coisas de comer e de assistir, lugares frequentados, e até detalhes da vida profissional. É isso que a recente pesquisa da IBM com 28 mil pessoas de 15 países vem dizendo, mostrando que 73% dos entrevistados não se importam de veicular suas informações pessoais.

De acordo com o estudo, 59% dessa amostra não veem problemas com compartilhamento de detalhes que envolvem seu estilo de vida e 61% divulga nome e endereço aos varejistas sem nenhum problema. E mais, a maioria dos respondentes afirmou que revelaria sua localização exata para obter uma experiência de compra mais customizada e adequada, sendo que, só no Brasil, 63% afirmam adorar uma negociação no preço, atraídos por liquidações.

Diante disso, fica claro que o conceito de privacidade mudou bastante nos últimos tempos. Ao contrário do antigo comportamento de um consumidor difícil de ouvir que protege ao máximo seus dados pessoais, e que demandava muita pesquisa de mercado para descobrir qualquer particularidade, hoje temos um público disposto a falar e aberto à conversação em suas próprias redes sociais. 

Mas será que isso é bom ou ruim? Muitas vezes, para os usuários, não é algo tão confortável. Recentemente, por exemplo, o Facebook mudou o modo como o perfil de seus usuários é apresentado sem consultar ninguém, o que gerou uma advertência do Centro de Informação de Privacidade Eletrônica, o Epic. Segundo o portal ZDNET, a organização “reclamou do Facebook por ter ido longe demais porque começou a desenvolver o redesenho sem consultar os usuários primeiro”.

No entanto, o Facebook negou tudo alegando que a “linha do tempo” não tem nada a ver com privacidade. Será? O fato é que o Centro para Democracia Digital, a Associação Americana de Bibliotecas, a Carta de Direitos dos Estados Unidos, e o Direito a Privacidade dos Pacientes também apoiaram a iniciativa de reclamação. Ou seja, o que é e o que não é privacidade na rede?

Porém, enquanto nós, usuários, temos que ficar atentos ao que postamos, até mesmo porque grande parte das empresas consulta as mídias sociais dos candidatos a uma nova vaga, as marcas possuem uma valiosa oportunidade em mãos, a de conhecer seus consumidores de maneira única, sabendo de sua vida minuciosamente. E o melhor, de maneira simples. Assim, ficou mais fácil realizar o Consumer Day, estratégia de acompanhar seu público de perto durante o dia todo para descobrir mais acerca dele. 

E você, o que acha? Será a privacidade na rede um problema ou uma oportunidade? Como você tem levado sua vida na internet? Vale refletir.